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Jornal DIÁRIO DO NORDESTE
Quinta-feira - 27-10-2016
Fortaleza - Ceará - Brasil
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CE bate recorde em transplantes de córnea


O Estado supera a sua própria marca, atingida em 1998, em relação a esse tipo procedimento

Com 914 transplantes de córnea realizados ao longo deste ano, o Estado do Ceará bateu o seu próprio recorde. Faltando dois meses para terminar o ano, o dado já supera os 851 procedimentos de 2015. O número é o maior desde 1998, quando foi criada a Central de Transplantes da Secretária da Saúde do Estado (Sesa), responsável por contabilizar as cirurgias.

No Estado, são 15 centros transplantadores de córnea, sendo 13 em Fortaleza, um em Sobral e outro em Barbalha. Nesses 19 anos, 8.355 transplantes de córnea já foram registrados.

Atualmente, a fila de espera possui 167 pessoas. A coordenadora da Central de Transplantes da, Eliana Barbosa, conta que o objetivo é atender toda a demanda dessa lista até o fim do ano. "Nós acreditamos que podemos zerar essa lista até o término do ano ou no máximo até o início de 2017. Hoje, o tempo de espera é de quatro meses. Nossa meta é que possamos reduzir para apenas um mês", revela.

Segundo a coordenadora, desde 15 de julho de 2016, uma equipe de enfermeiros e técnicos do banco de olhos foi instalada dentro da Perícia Forense, o que tem agilizado o processo de arrecadação no Estado.

Conforme a Central, em julho, 98 transplantes de córnea foram realizados; em agosto, houve 159 e em setembro 136. Antes da equipe, só óbitos hospitalares eram trabalhados para as doações. O número de procedimentos aumentou, passando de uma média de 60 para 90 ao mês. Eliana lembra que diferentemente dos outros órgãos, a família do doador de córnea já pode ser entrevistada a partir do momento da parada do coração.

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 Em abril deste ano, 12 médicos oftalmologistas transplantadores
de córnea finalizaram uma capacitação em transplante medular.
O método de cirurgia avançada de córnea é adotado por três
equipes do Estado há três anos

Apesar das melhorias que os dados apresentam, a recusa familiar continua sendo o principal entrave. "Tem que se trabalhar esse lado familiar, mostrar que doar é ato de solidariedade, amor e cidadania. Qualquer um de nós pode precisar algum dia de um transplante. Esse número crescente de casos de sucessos já é uma forma de ajuda para a causa, pela credibilidade que recebemos", relata Eliana.

Realidade

O primeiro transplante de córnea no Estado ocorreu em Fortaleza, em 1982. A cirurgia foi realizada no Instituto do Cego dos Ceará, hoje Instituto Hélio Góes. De lá para cá, muitas mudanças aconteceram. No início de 2000, um paciente chegava a aguardar dois anos por um transplante, realidade muito diferente da proposta de apenas um mês de espera para 2017.

Em abril deste ano, 12 médicos oftalmologistas transplantadores de córnea finalizaram uma capacitação em transplante medular. O método de cirurgia avançada de córnea é adotado por três equipes do Estado há três anos. Os 12 médicos participaram do primeiro Curso de Transplante Lamelar, promovido pela Central de Transplantes, em parceria com a Sociedade de Oftalmologia do Ceará, Hospital de Olhos Leiria de Andrade, Banco de Olhos do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e Banco de Olhos do Ceará.

Em números gerais, envolvendo todos os tipos de transplantes, com 1.386 realizados neste ano, o Ceará está a 47 cirurgias do recorde estabelecido em 2015, de 1.433 transplantes. Até o dia 25 de outubro, os números eram de 201 transplantes de rim, 26 de coração, três de pulmão, 76 de medula óssea - sendo 57 autólogos e 19 alogênicos - 914 de córnea e sete de esclera.

Doe de Coração

A Campanha Doe de Coração chegou a sua 14ª edição no ano de 2016. Realizada pelo Fundação Edson Queiroz, a ação acontece tradicionalmente durante todo o mês de setembro visa sensibilizar a sociedade sobre a importância do transplante.

A ação movimenta campanhas publicitária em jornal, TVs aberta e fechada, além de distribuição de cartilhas, cartazes e camisetas. A interatividade também se faz presente em vídeos disponibilizados nas mídias sociais das empresas do Grupo Edson Queiroz.

A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) reconhece a intervenção como uma forma de incentivar a doação voluntária. Uma das principais marcas registradas da Doe de Coração é fortalecida com a realização de mais ações em hospitais, clínicas.

O Estado do Ceará tem se mantido em destaque no que se refere ao número de doações e de transplantes, segundo a Central.


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